domingo, 3 de junho de 2012

Maranhão- MA

Entrei em mais um estado dessa aventura pelo Brasil, agora no Maranhão, ouvi muito falarem sobre este estado ja que em Roraima, estado onde nasci, tem muitos maranhenses. A primeira coisa que percebi foi a variedade ecológica que se encontra no estado, tendo um pouco de pantanal, floresta, sertão e outros sistemas, concerteza um estado de contrastes.
Entrei no Maranhão pela BR-316 e conheci cidades como Boa Vista do Gurupi, Maracaçumé, Governador Nunes Freire, Turilândia, Santa Elena, Pinheiro e Cujupe onde peguei a balsa ou Ferry-boat como é conhecido por lá para poder atravessar para a ilha e capital São Luíz, no percurso encontrei muitas casas de taipa (argila) e percebi logo o contraste entre o Norte e o Nordeste.
O povo maranhense assim como nos outros estados que passei me recebeu muito bem e por onde passava conseguia ajuda e atenção das pessoas. Fiz muitos amigos por lá, dormi em fazendas, marcenarias e pousadas até chegar na capital.
Já em São Luíz, tive um pouco de dificuldade para encontrar pousadas com vagas disponíveis pois havia chegado a noite. Já era perto de meia noite e ainda estava a procura de lugar para pernoitar, até que encontrei um quarto mobiliado no centro da cidade, tinha que alugar por um mês, tempo que precisaria para trabalhar e juntar uma grana para poder continuar viagem. Durante o mês que fiquei por lá vistei o centro histórico, as praias e um pouco dos bairros da cidade, aproveitei para fazer uma revisão na bike e é claro trabalhei muito com desenho no centro da cidade, dando para juntar uma boa grana. E ainda, o dono do hotel pediu para mim fazer uma pintura na frente do estabelimento, ficando em troca do mês que fiquei hospedado por lá.
Deu tudo certo e ao completar o mês na cidade peguei a estrada em direção aos Lençóis Maranhenses, pois é claro, não poderia deixar de conhecer esse lugar maravilhoso. Depois de três dias de viagem cheguei em Barreirinha, município onde se localiza os Lençóis, tirei muitas fotos, tomei banho nas lagoas rodiadas pelas dunas de areia que são o cartão postal da cidade, e fiquei sem dinheiro... pois tive que pagar uma agência de turismo com o pouco que tinha no bolso para poder chegar nas dunas, ja que era muito difícil e perigoso entrar de bicicleta sem um guia.
Peguei carona de barco até chegar na praia de Caburé, e de lá fui pedalando para Paulino Neves com apenas o oceano de um lado e areia do outro. Naquela noite dormi em Tutóia, fiz amizade com um dono de restaurante e acabei ganhando uma refeição de grátis, e pelo menos até chegar em Parnaíba fui praticamente pedindo ajuda ou me virando no "jeitinho brasileiro".  
Em fim, minha passagem pelo Maranhão foi muito boa, aproveitei bastante, fiz amizades e ainda conheci um pouco de sua cultura de sua beleza, e sem esquecer que ainda escutei muito "REGAE"... ^^V

Praia de Caburé-MA
Lençóis Maranhenses.

Tomando banho nos Lençóis

Lagoas dos Lençóis



Orla de Barreirinhas-MA

Turistas nos Lençóis Maranhenses

Lençóis Maranhenses

Dormindo em posto de gasolina.


Rio Parnaíba divisa MA-PI

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Conhecendo mais um pouco do Pará

 
  
Saí de Belém logo depois de me despedir dos amigos, parti em direção ao mar, para tomar banho de água salgada nas praias paraenses... no primeiro dia saindo de Belém dormi em Castanhal, e procurei ajuda no corpo de bombeiros da cidade. Os bombeiros me receberam muito bem, de forma que me senti em casa, fiquei dois dias por lá, conversei muito e passei a ser ainda mais fã desses que arriscam a vida para salvar outras. De Belém até Castanhal pedalei com meu carrinho atrelado a bike, e confesso que ficou mais pesado do que o planejado, tendo que muito tristemente me desfazer do mesmo pois havia me dedicado um bocado na sua construção. Estava em época de férias e as praias lotadas, o corpo de bombeiro estava em peso no litoral para fazer a segurança dos banhistas. Parti de Castanhal rumo a Salinópolis no litoral, não consegui chegar no mesmo dia e acabei dormindo na escola pública de uma pequena comunidade.
Chegando em Salinópolis no dia seguinte fui direto para a praia de Salinas, tentei trabalhar com meus desenhos mas não deu certo e acabei sedendo a tentação de dar um bom mergulho. Senti o gosto da água salgada logo ao pular na primeira onda que encontrei, e me afoguei,  rs... ganhando uma medalha na testa !!!
A noite tentei novamente a sorte no corpo de bombeiros e fiz amizade com um bombeiro ciclista que no dia seguinte pediu para eu ir na sua casa em Nova Timboteua e fazer alguns trabalhos de pintura. Ganhei um amigão e aprendi muito com sua família nos dias em que fiquei por lá, serei eternamente agradecido pela sua ajuda e amizade de toda sua família.
Já em direção ao Maranhão passei alguns dias dormindo em postos de gasolina, pois sempre tinha um barracão reservado para caminhoeiros pernoitarem, e eu é claro aproveitava para atar minha rede...
Gostei demais do estado do Pará e percebi o quanto o povo paraense é trabalhador solidário e hospitaleiro, conheci muito  de sua riqueza, de seu povo, sua cultura e amizade.
Um forte abraço de agradecimento e admiração ao povo paraense.
praia de Salinas.
Salinas-PA..

pintura em violão com aerógrafo.

pintura em parede que fiz em Nova Timboteua.

Salinas-PA

corpo de bombeiros de Castanhal.


pintura em capacete, ganhando um trocado, rs.

escultura em Peixe-Boi  PA

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Belém do Pará




Peguei o barco do Macapá-AP direto para Belém-PA, tive que trabalhar um bocado no Macapá para poder conseguir o dinheiro da passagem, e chorar muito para conseguir um desconto (de dez reais, encima do valor total, 80 reais). Mas enfim, ja estava gostando de andar de barco, sabia que de Belém para frente iria acabar essa mordomia pois de lá teria estrada para todo o resto do Brasil.

A viagem de barco foi incrível, assim como as outras pelo rio Amazonas, podendo observar mesmo que de longe (dentro do barco) a vida dos ribeirinhos. Os ribeirinhos são pessoas incríveis, vivem do necessário, caçam, pescam, plantam e enfim produzem seu próprio alimento... vivem do necessário, são felizes e demostram motivação na arte de viver. É claro, eles tem suas dificuldades por conta da saúde e da educação, mas fora isso no meu modo de ver vivem melhor que muitos presos na selva de pedra da vida urbana e "DESENVOLVIDA" das grandes cidades... apesar das dificuldades, para mim eles são exemplos de vida !!! foi uma lição de vida observar como as crianças aprendem desde cedo a trabalhar (caça e pesca) e a se virar na natureza, em busca de alimento e até mesmo de lazer, em um cenário mais do que espetacular que é a Floresta Amazônica.

Belém do Pará, tae uma cidade que vou sentir muita falta, todos sabem do alto indice de violência nesta capital, mas apesar de tudo os amigos que fiz por lá e os lugares lindos que visitei vão ser difícil de apagar da memória. Em Belém fiz muitos amigos, o primeiro foi o Leno que até então so conversavamos pelo orkut, assim que cheguei na cidade fui pesquisar os valores de hotéis pelo centro da cidade, mas estavam todos acima do que eu podia pagar, liguei para meu amigo Leno a tarde e disse que estava em sua cidade, ele ja me esperava há um tempo, pois ja havia pedido sua ajuda pelas nossas conversas do orkut. Ele ficou feliz em saber que havia chegado em sua cidade, e marcou um lugar para nos encontrar e acertar o que ele poderia fazer por mim. Infelizmente ele nao estava morando mais em sua casa, pois tinha colocado a venda, mas para minha surpresa ele deixou que eu ficasse na sua casa a venda, sozinho, demostrando imensa confiança, naquele momento senti que tinha ganho um grande amigo. Dali pra frente ele me apresentou sua família, todos muito legais, e contagiados pela energia do pedal, sua irmã e seu cunhado (Sandra e Alexandre) eram loucos por bicicleta, e ja podem imaginar o quanto eu estava a vontade... o assunto não era outro naquela casa, só bicicleta, e eu não gostava nem um pouco, rs !!! No mesmo dia ele me apresentou para seu amigo Lupa (publicitário) e família, tambem loucos por bicicleta, me levaram para pedalar pela cidade, e me apresentaram os principais pontos da cidade, como o centro histórico, o mercado ver-o-peso, o projeto ver-o-rio e varios outros lugares que fazem parte da história da cidade !!!

O Leno ja havia deixado tudo preparado para minha chegada, tinha conversado com o mecânico da sua bicicleta para fazer toda a manutenção necessária na minha bicicleta e ainda me deu alguns presentes como um tênis e outros objetos necessários para a viagem. O mecânico era o S. Ronaldo, um senhor muito divertido que esbanja alegria e motivação, S. Ronaldo cuidou muito bem da minha bicicleta, e me ensinou muita coisa em nossas conversas. Não demorou muito e ja estavamos marcando o primeiro passeio de bicicleta para os arredores da cidade, o primeiro foi para um lugar próximo de Benevides, com água cristalina e ótima para tomar banho, o passeio foi muito legal, gostei muito, as cidades ficavam próximas uma das outras e as trilhas muito agradáveis.

Durante a semana me dedicava nas encomendas de desenhos para juntar dinheiro. Fiquei um mês em Belém, todos os fins de semana tinha um passeio diferente, me senti em casa e os amigos pareciam que eram de infância, ainda fomos para um passeio em Mosqueiro, cidade vizinha, para conhecer as praias e com direito a um belo café da manhã, passamos a tarde por lá, tomamos banho na praia e voltamos no final da tarde para a capital. Os passeios é claro, sempre eram de bike, cheguei a participar de um passeio que tem toda quarta-feira que se chama Bicicletada, evento com a intenção de sensibilizar a população mostrando a importância do espaço da bicicleta no trânsito que ja foi adotado em várias cidades do mundo. Também participei de um passeio noturno pela cidade do grupo EART (Equipe de Aventura ratos de Trilha), antes do passeio fui apresentado para todo o grupo por seu representante e muitos fizeram uma "vaquina" para doar para mim e usar em dispesas com alimentação na viagem, aquilo foi muito bacana e mostrou como os ciclistas são unidos !!! Queria poder citar aqui o nome de todos que me ajudaram, mas são muitos e por isso mando apenas palavras de agradecimento a toda a turma do pedal de Belém, por todo o carinho que me receberam.

Não poderia esquecer do meu grande amigo Lauro (psicólogo), que me adotou como filho enquanto estive por lá, rs !!! até então só nos falavamos pelo orkut, e ja não via a hora de conhecê-lo pessoalmente, ele é um dos caras que servem de exemplo para o cicloturismo nacional. Lauro fez uma cicloviagem do Oiapoque ao Chuí em uma bicicleta reclinada (foto ao lado), bastante confortável e totalmente estranha para quem esta acostumado com as bikes convencionais, além de sua idade ja bem acima do que muitos consideram o auje da vida Lauro tinha sofrido uma operação de redução de estômago, e apesar de tudo isso correu ou melhor pedalou atrás de seu sonho, sua paixão pela bicicleta ja era bem antiga, sua familia é claro estava contagiada pela energia da bicicleta, sua casa era uma casa de ciclistas, ele deixou sua mulher e filho por alguns meses para atravessar todo o Brasil de bicicleta, ele disse que a saudade da familia era muito dolorosa, mas sabia que todos estavam torcendo por sua conquista, apesar de muitos não acreditarem em suas capacidades. Lauro não conseguiu somente alcançar seu objetivo e realizar seu sonho, mas mostrou para muitos que cicloturismo é para todos que tem determinação, coragem e atitude. Lauro me ajudou muito enquanto estive em Belém, e sabia que era mais um grande amigo que podia contar, conversamos bastante e ele me deu dicas preciosas de quem ja tem uma enorme experiência de vida.

Completei aniversario no dia 18 de junho e a galera havia descoberto a data, fizeram um almoço para comemorar na casa da Sandra (irmã do Leno), foi muito legal, nao vou esquecer deste aniversario, e a noite ainda teve comemoração na casa do meu amigo Lauro, com direito a bolo com vela, pizza e a presença da sua carinhosa familia. Este aniversario eu nao esquecerei, é por motivos como este que lembrarei com muito carinho desta cidade.

Ainda em Belém tive a idéia de construir um carrinho ou trayler para a bike, na intenção de carregar material de pintura como tinta e um pequeno compressor para trabalhar com pintura, corri feito um louco para um lado e outro da cidade em busca de quem pudesse me ajudar na sua construção.

Uma pessoa que me ajudou muito na construção do trayler-bike foi o Pardal (foto ao lado), muito conhecido em Belém por seu conhecimento em usinagem e solda em alumínio, Pardal me ajudou muito e praticamente fez o carrinho para mim, agradeço muito a ele por ter me ajudado, fiquei muito feliz com o resultado e nao via a hora de testá-lo na estrada. Consegui comprar o compressor que queria graças ao desconto que o S. Chico da loja Aché Serigráficos fez para mim, agradeço muito por sua ajuda.

Não poderia esquecer é claro do meu grande amigo Mickey (Elierson), mestre no skate e na pintura, bastante conhecido e respeitado em Belém, com ele aprendi muito sobre pintura com aerógrafo, juntos pintamos o meu quadro, guidão e garfo da bicicleta, ele me passou diversas das suas técnicas e tentei passar um pouco da minha experiência com desenho no pouco tempo que fiquei por lá. Mickey me ajudou muito enquanto estive por lá assim como Lauro, Leno e suas famílias. Não tenho palavras para agradecer a todos. Só quero que saibam que sentirei muita saudade e serei eternamente grato por toda a ajuda e carinho de todos.

Aos meus amigos Leno, Lauro, Sandra, Alexandre, Mickey, Ronaldo, Lupa e tantos outros assim como suas familias, que nao mediram esforços para me ajudar, um grande abraço, desejo toda a felicidade do mundo para todos.




Um enorme abraço.


Andrio, Alexandre, Sandra, Eu, S.Ronaldo e Leno. No dia do meu aniversario. Grande amigos.


Trayler Bike já pronto e com bagagem.



Meu amigo Mickey pintando meu quadro.


No trapichi da praia na cidade de Mosqueiro- PA.


Estrada na beira da praia de Mosqueiro.



Lauro e família, na noite do meu aniversário, saudade de todos.


Portal da cidade de Mosqueiro.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amapá - AP (pedalando do Oiapoque até a capital Macapá, 580 km)




Bom, primeiro me desculpem por ter ficado tanto tempo sem postar aqui no blog, mas enfim, finalmente vou contar minha passagem pelo estado do Amapá. Uma noite antes havia dormido no barco que viera de Altamira no Pará para poder economizar com hotel. O porto ficava na cidade de Santana á 18 km de Macapá, como ficava próximo cheguei ainda cedo na capital do Amapá, dando tempo de visitar a orla da cidade e a Fortaleza de São José (pontos turisticos da cidade) ainda pela manhã. Em Macapá ja tinha lugar para ficar, pois meu pai indicou a casa de uma amiga para poder ficar, pela tarde fui procurá-la e fui muito bem recebido pela sua família. Aproveitei para tomar um banho e lavar algumas roupas, depois avisei que pretendia ir no mesmo dia para Oiapoque, perguntei onde era a rodoviária e fui providenciar a compra da passagem de ônibus. O pessoal não entendeu muito bem minha pressa mas a verdade é que ja estava com muita falta da estrada, ja que havia ficado um mês em Altamira-PA praticamente trabalhando e quase sem pedalar. Agradeci a todos pela otima recepção e avisei que estaria de volta dentro de 15 dias, pois minha meta era pegar o ônibus até o Oiapoque e depois descer o estado pedalando até a capital Macapá (580 km).
Embarquei as 19:00 horas e deveria chegar ao amanhecer no Oiapoque, mas o ônibus quebrou no meio da viagem, o que acabou levando o dobro do tempo para chegar. Ainda na estrada com o ônibus quebrado minha vontade era de tirar minha bike e bagagem do ônibus e sair logo pedalando, a ansiedade pela estrada era enorme mas fui paciente e esperei até chegar no Oiapoque. Enfim quando cheguei a noite fui procurar um lugar para jantar e depois para dormir, achei uma pousada de 10 reais a diária, na verdade não era bem uma pousada, pois nem cama havia, tive que dormir na rede e sem ventilador, so paguei os 10 reais porque nao sabia como era o movimento da cidade e não confiei dormir ao relento naquela noite. Depois de um belo sono junto com as carapanãs acordei e fui logo arrumando minhas coisas para começar o dia na estrada, mas chovia muito, aliás chovia desde a noite anterior ao chegar na cidade, não tive escolha e fiquei esperando a chuva dar uma tregua para poder partir, ja pela tarde e ainda esperando a bendita chuva passar acabei desistindo de pegar a estrada e fui dar uma volta pela cidade para poder conhecê-la um pouco, fiz algumas amizades e fiquei sabendo algumas opniões de como é viver nesta cidade, a noite ainda joguei um video-game em uma locadora e relembrei meus tempos de criança quando jogava super-nintendo, joguei de graça pois tambem havia feito amizade com o dono da locadora. Não vão pensar que faço amizades apenas com a intensão de conseguir as coisas de graça, o que ajuda muito, mas sabe como é, o pessoal insiste muito para que eu não pague ja que estou viajando de bike, e eu como sempre acabo aceitando.
Depois de aproveitar o dia no Oiapoque voltei para aquele lugar ("pousada") de 10 reais para dormir novamente e pegar a estrada no dia seguinte. Esqueci de falar ainda estava chovendo, choveu o dia inteiro e ao acordar no dia seguinte adivinhem, ainda estava chovendo. Não aguentava mais tanta chuva, a chuva não ia embora, apenas ficava mais fraca e depois mais forte, e depois mais fraca e depois mais forte, etc... Mesmo assim com tanta ansiedade arrumei tudo e fui até o inicio da estrada aonde sempre comprava minhas refeições, ao esperar ainda a chuva passar fui abordado por um homem que dizia ser reporter, ele perguntou se podia me entrevistar e aceitei ja que tinha que esperar mesmo a chuva passar. Depois da entrevista ele me disse que era perca de tempo esperar a chuva passar, me explicando que no inverno daquela região chovia todo dia e toda hora o que me deixou logo preocupado, foi então que tomei uma decisão, no dia seguinte pegaria a estrada mesmo se estivesse caindo o maior pau-d'água, e adivinhem, rs, estava caindo o maior pau-d'água, e como o prometido sai assim mesmo com toda a minha bagagem dentro de sacólas para não molhar, não tinha idéia de como estava a estrada ja que nem fiz questão de olhar durante a viajem de ônibus.


No primeiro dia de pedal saindo do Oiapoque pedalei 50 km de asfalto mais 15 de estrada de chão onde encontrei com um senhor que tomava conta de uma fazenda, expliquei que estava procurando um lugar para pernoitar e descansar até o dia seguinte para poder continuar viagem, ele me disse que o dono não permitia que ninguem dormisse lá, mas o senhor foi muito generoso e permitiu que dormisse, e ainda me deu um belo jantar e café da manhã ao acordar, saí de lá cheio de frutas que me deu de suas plantações, agradeci a otima estadia e segui em frente pela estrada de chão. No caminho passei por diversas áreas indígenas o que me fez lembrar do estado de Roraima quando atravessei a reserva Raposa-Serra-do-Sol, pedalei mais 45 km até uma comunidade chamada de 1° do Cacipore, que fica na beira do rio Caciporé, lá pedi para dormir em uma empresa responsavel pela manutensão da estrada, quem me permitiu ficar lá foi o vigia, e ainda por lá cheguei a fazer um desenho de um dos moradores, pedi para um dos moradores preparar uma conserva que tinha para jantar e depois fui dormir, no dia seguinte fui convidado para comer uma lasanha preparada pela enfermeira da cidade, e é claro que não pude recusar, o que valeu a pena, fazia alguns dias que não comia comida de verdade e depois de agradecer a otima refeição peguei a estrada ainda pela tarde, neste dia finalmente pensei que iria pedalar em baixo do sol, mas a alegria durou pouco e logo começou novamente a chover sem parar Mesmo debaixo de chuva e ja ter saido tarde para pedalar consegui fazer 60 km chegando quase a noite na cidade de Carnô onde procurei logo onde jantar e uma pousada para dormir e descansar depois da tarde de pedal embaixo de chuva, no dia seguinte pedalei mais 70 km até a cidade de Calçoene no dia de chuva mais forte que peguei em toda a viajem, até la havia pegado estrada de barro e a chuva ainda deixava a situação mais delicada, pois muitas vezes ficava dificil de ver os buracos cobertos pela água, o que me resultou em algumas quedas mas sem nenhum prejuizo. Ja em Calçoene começaria a estrada asfaltada até chegar em Macapá, Calçoene é conhecida como a cidade onde mais chove no Brasil, e pude presenciar que ela merecia toda a fama que tinha, era incrivel como passei quase 3 dias sem quase não ver a luz do sol com o tempo quase que o dia inteiro nublado e chovendo todo dia e toda hora. As pessoas ja nem ligavam para a chuva e todos que eu via na cidade tinham sombrinhas.

Nos tres dias que fiquei por la aproveitei para comprar uma lona para cobrir a bicicleta na estrada quando novamente pegasse chuva, na verdade ja deveria ter feito isso para evitar toda vez ter que secar minhas coisas onde chegasse, mas bem logo estava novamente na estrada e depois de Calçoene passei por uma das experiências mais dificeis na viagem. Me enpolguei na estrada por pegar algumas horas de sol pela tarde, como o dia estava bonito aproveitei para diantar os dias de atraso causados pela chuva, queria chegar o mais longe possivel antes de anoitecer, e foi aí que quebrei a cara, pois anoiteceu e como nao parei para perguntar quantos quilômetros faltavam ate a proxima cidade tive que pedalar a noite, as horas passavam e nao via nem uma luz sequer, e para piorar ainda mais a situação adivinhem, caiu o maior pau-d'água, imaginem-se a noite na estrada com fome, quase com a água acabando, com frio, embaixo de uma chuva forte e sem ter idéia de qual a distância até a próxima cidade, pois é, eu estava em uma enrrascada mas contudo procurava me manter calmo, eu não conseguia ver nem mais um palmo na minha frente e não dava nem para pegar a lanterna dentro do alforge por causa da forte chuva ja que correria o risco de molhar tudo, até mesmo alguns equipamentos eletrônicos, só sei que continuei pedalando e depois de umas 4 horas neste sufoco ja perto das 21:00 horas cheguei em uma comunidade chamada Breu onde não havia restaurante nem mesmo uma pousada, ao passar pela última casa da cidade na beira da estrada encontrei com uma moradora que ia saindo de sua casa.

Ja estava perto de meia noite, e aquela senhora era a única que eu via por ali, ja que as pessoas dormem cedo no interior, expliquei miinha situação para ela, disse que estava viajando de bicicleta e que estava com muita fome e na cidade não havia restaurante nem hotel, ela se sensibilizou e mesmo com medo decidiu me ajudar, conversamos um pouco e depois de servir a comida mostrei algumas das fotos da viajem, ela ficou encantada com as immagens e lugares por onde passei e decidiu deixar eu atar minha rede na varanda de sua casa. Dormi muito bem e no dia seguinte me despedi daquela senhora e de toda a sua familia com a qual fiz amizade, ja na estrada e ainda com chuva, refleti sobre a situação do dia seguinte e tomar mais cuidado com as distâncias entre as cidades para não ficar na mesma situação do dia anterior. Pedalei bastante naquele dia e ao chegar na cidade de Tartarugalzinho fui abordado por um senhor curioso com tanto peso que levava na bicicleta, ele me fez varias perguntas sobre os motivos por estar viajando daquela maneira, expliquei pacientemente e assim como nas diversas outras vezes acabei ganhando um amigo, ele me pagou uma refeição (almoço) e depois continuei viajem até a cidade de Tartaruga Grande, engraçado que a cidade de Tartaruga Grande é menor que Tartarugalzinho, rs... tudo ao contrário !!! cheguei em Tartaruga Grande e me informaram que ainda faltava uns 60 km ate a proxima cidade, ja era tarde e decidi dormir por ali mesmo em um comercio, tambem jantei com o pessoal de la, assisti um jogo do Vasco e acabei torcendo junto com a galera, lembrando que não tenho nenhum time de preferencia !!!

Parti novamente e finalmente sem nem mesmo acreditar, pedalei em um dia de sol no Amapá, era quase que inacreditavel, ja fazia mais de uma semana que chovia, aproveitei para tirar fotos da estrada com o bom tempo, e a tarde parei em uma borracharia na beira da estrada para dormir á 12 km de Ferreira Gomes, o dono da borracharia me contou que seu sonho era fazer uma viagem de bicicleta de Belém-PA até São Luís-MA, conversamos muito, ganhei um almoço e um amigo e acabei pernoitando por lá mesmo, o ruim é que lá era um bar e de vez em quando de madrugada encostava carros com o som alto para comprar cerveja e jogar uma partida de sinuca, acabei acordando algumas vezes, mas deu para ver como é a vida de quem trabalha em beira de estrada... ao acordar tomei um café com os amigos da borracharia e depois peguei novamente a estrada, faltavam 150 km para chegar no Macapá, passei rapidamente na cidade de Ferreira Gomes para tirar algumas fotos, e depois continuei na estrada até chegar no encruzamento que vai para a cidade de Porto Grande e Serra do Navio, seria interessante ir ate lá e conhecer um pouco mais do estado, mas meu dinheiro era pouco e desviaria quase 200 km do caminho direto para o Macapá.

Almoçei por lá mesmo e ainda encontrei um cicloturista chamado de Juarez, ele me disse que era de Porto Alegre-RS e estava percorrendo toda a America do sul, ja estava com uns 5 anos de viajem e o curioso é que levavá um cachorro na bike, antes ele era bancário e agora tentava buscar um recorde de cidades visitadas com sua bicicleta. Faltavam 100km ate Macapá, ja não haviam mais ladeiras e o tempo era perfeito para pedalar, ja era umas 11:00 horas da manha, ja tinha almoçado e decidi pedalar os 100 km para chegar logo ate a capital. No caminho passei por enormes plantações de Pinho e Eucalipto, de empresas que fabricavam papel e derivados da celulose, não sei se essas empresas eram brasileiras mais sei que envestiam alto no negócio, de vez em quando era surpreedido por um trem que passava carregado de madeira ao lado da estrada, o visual era muito bacana.

Ainda peguei chuva a tarde, só para não esquecer a fama do estado com as chuvas. Cheguei a noite na casa da amiga de meu pai que estava me esperando, sua familia me recebeu muito bem e depois ainda passei mais duas semanas hospedado em sua casa, e aproveitando o tempo para trabalhar na orla da cidade com meus desenhos e arrecadar mais uma grana para continuar viagem.

A impressão que tive do estado do Amapá é de muita preservação ambiental, esta é o eestado mais preservado do Brasil, por lá não tem tantos pontos turísticos como em outros estados, o que por um lado acho bom, já que o turismo muitas vezes acaba se tornnando predatório. Também achei precária a falta de comunicação da capital com o interior, ja que passei em cidades em que além de não haver sinal de celular algum, ainda tinha seus poucos orelhões em péssimás condições e funcionamento. Fora as questões de esquecimento por parte das autoridades públicas que em quase todos os estados é a mesma, principalmente no interior, achei muito legal toda a preservação ambiental do estado, diferente do Pará onde via constantemente na estrada transamazônica caminhões carregados de madeira ilegal retirada da floresta.


Queria agradecer toda a ajuda da familia de minha grande amiga Idiana Amaral que me recebeu em Macapá, desejo a todos muita felicidade. Saudadespôr-do-sol.





amanhecer.





marco zero, onde passa a linha do equador em Macapá.





foto na linha.










orla da cidade de Macapá-AP.





casa onde dormi em Tartaruga Grande, depois de chegar a noite na cidade em baixo de chuva




amigos de Calçoene






pequenas corredeiras na beira da estrada.






ponte que liga Brasil e Guiana Francesa.





Fortaleza de São José, Macapá-AP.